Conversas ao Vento
Minhas queridas Manas e minhas 8 leitoras,
Quando estiverem muito chateadas, muito p... da vida, quando tiverem brigado com os maridos, namorados e ou amantes, experimentem conversar com o vento. As psicanalistas, psicólogas, psiquiatras e analistas de plantão que me perdoem, não quero tirar o emprego e o ganha pão de vocês, mas não existe nada melhor para o equilíbrio de uma mulher pós moderna e emancipada, do que uma CONVERSA COM O VENTO.
Calma, que vou dar a receita...
Em primeiro escolham um lugar gostoso para ter esta conversa, pode ser como um desses da foto lá em frente de casa, mas pode ser qualquer um de vosso gosto, pode ser até para as mais desesperadas no banheiro de suas próprias casas, só não esqueçam de que tem que ter vento e no caso de terem escolhido o banheiro ou qualquer outro cômodo de casa terão que ligar o ventilador...

Oráculo especial, nos trópicos
Podem ficar na frente do vento, de lado, de costas, de quatro, assim como no amor a posição não importa, ela tem que ser e isso sim a mais confortável de todas. Tem as mais fogosas que vão escolher a posição de franguinho, outras a de papai e mamãe e outras ainda a de cachorrinho ou simplesmente de frente.
Sinta o vento na sua pele, sinta ele penetrar ( penetrar é ótimo...) em seus poros e DESCARREGUE TODA A SUA RAIVA, XINGUE, GRITE, FALE TUDO O QUE ENGASGA O SEU GÓGO...
Quando estiver completamente exausta vai perceber como o mundo ficou mais leve... a maioria dos problemas foram embora...
Pois é minhas amigas, quase todos os dias tenho uma destas conversas com o vento, fico sentindo o vento me penetrar, sinto o cheiro do mar, o barulho das ondas, sinto o sal do mar grudar em minha pele e CONVERSO MUITO...
Depois pego minhas sandalinhas de strasse, sacudo a poeira de minha peruquinha ruiva cacheada e vou para casa tomar meu café da manhã. Normalmente sento no colo de Jacob, que me faz cafuné e me coloca na boca com toda a gentileza, bagos uvas sem pele e sem graínhas, uma a uma.
Jacob Von Habsburg, meu mordomo, cuida de mim como um pai, apesar de sua tenra idade e me faz sentir na pele do Guardador de Rebanhos do poema de Fernando Pessoa, quando ele imagina a vinda de novo de Jesus no corpo de um menino, o mais pequeno...
Beijos
MCT – Maria da Conceição Tavares – A Tagarela ou a que uiva ao vento
MCT – É autora de 3 best sellers de auto-ajuda “Traia, mas jamais conte a seu marido”, “Corno bom é o corno manso” e “Vá de Táxi para o Motel”
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OLA FIQUEI CURIOSO COM A IDADE DO SEU MORDOMO SERIA ALGO ENTRE 23 E 28 ANOS SE ELE TIVER UM IRMÃO OU PRIMO COM TANTA DEDICAÇÃO EU QUERO PARA MIM KKKK
BJ ADMIRADOR ANÔNIMO
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Acho que somente a brisa e o vento para me trazerem o alento que preciso, e vc para me fazer rir, rir muito. devemos nos ver só quando eu voltar.
Bjo gde............
Lady Mary
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Muitos me pediram para trancrever o poema do "Guardador de Rebanhos" de Fernando Pessoa, aqui vai...
MCT
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O Guardador de Rebanhos - Alberto Caeiro - 1914
Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas…
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou –
«Se é que ele as criou, do que duvido» –
«Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres.»
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?


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