Passeando o pato ou pagando o pato...
Imaginem que ela antes só passeava com os seus poodles cor de rosa pelas ruas de Paris e sempre em Mercedes forrados com tapetes persas. È, essa de forrar os Mercedes com tapetes persas ela aprendeu com uma perua carioca que era carinhosamente apelidada de vóvó da Barbie...
Quanta decadência... Senão vejamos,
Ela já tinha aberto mão do champange Veuve Cliquot, trocou por guaraná Antártica básico...
O caviar Beluga trocou por umas ovas de corvina marinadas em tinta de lulas e de chocos...
Os faisões foram trocados por uns galetinhos assados na padaria do seu Manuel...
A geléia de amoras dinamarquesas que acompanhavam os faisões foram substituídas por geléia de uva de São Roque e agora ela passeia um pato...

Sãozinha passeia o pato...
Tem uns que afogam o ganso, ela passeia o pato ou será que ela paga o pato?
Trocadilhos nojentos à parte, nestes dias ela quase que paga o pato, senão vejamos o que ela tem para contar...
No domingo passado ela apanhou um ônibus e foi para a feira hippie em Ipanema. Lá pelo final de Copacabana, entra um macho de trinta e poucos anos, pele clara, pernas muito peludas, cara de machão e senta no banco do lado de Sãozinha. Ela começa a lançar uns olhares lânguidos, porém discretos, pois o cabra tem uma cara brava e ela não quer passar de novo por aquele vexame do cara perguntar: - Tá olhando o quê seu viado?.
Quando chegou à Praça General Osório ela desceu e lançou um último e derradeiro olhar, o macho esboça um pálido sorriso, bem sacana e joga um papelzinho pela janela do busão, fazendo sinal de que nele estava um telefone.
Ela mais do que de repente ela atravessa a rua, quase sendo atropelada por uma kombi de lotação e apanha o papel, nele estava um nome ( digamos que era algo Wearetheworld para afinal manter a identidade do cabra em segredo...) e um número. Sãozinha pega o celular e rápidamente combina uma próxima ligação para acertar algo mais íntimo, combinaram se falar na 4ª. feira seguinte.
Impaciente o cabra liga no dia seguinte e quer já agendar um motel (cheio de fogo e amor para dar) e deste modo juntando a fome com a vontade de comer (literalmente) agendam um encontro para o dia seguinte numa esquina de Copacabana.
Sãozinha sempre pontual, encontra a paquera na tal esquina, pergunta se vão a um motel por ali mesmo, ele diz que não, pois é conhecido no pedaço e decidem que o melhor a fazer é pegar um táxi para o centro da cidade.
Durante o percurso, o homem não está à vontade, pois o motorista do táxi o tempo todo fica de olho no espelho retrovisor. Trocam apenas duas ou três palavras e lá na Men de Sá, saem do táxi, o cara dá a volta à esquina e faz sinal de que já vai atrás.
Sãozinha espera uns 2 ou 3 minutos, atrás de um caminhão de cerveja, imaginando que seu companheiro estaria inibido ou com vergonha de entrar num motel numa rua tão movimentada.
Neste meio tempo toca o celular, é o cabra da peste dizendo que a mulher dele o tinha seguido no táxi, que ele ia sumir, depois ligaria... Pois é sumiu que nem D. Sebastião na Batalha de Alcácer Quibir ( ou foi na de Aljubarrota?, bicha burra faltava às aulas de história...) e nunca mais deu o ar de sua graça ( ou será desgraça????)...
Sãozinha não lhe ficou atrás, soltou um rastro de purpurina e desapareceu numa nuvem rosa que nem a feiticeira do seriado... Vocês acham que ela ia ficar ali para pagar o pato????
MCT – A Rainha da Patolândia


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