O Zé Ninguém
Preconceito é uma merda... Já dizia a minha saudosa sogra, uma senhora muito distinta, porém desbocada.
Faço de tudo para jogar fora sentimentos preconceituosos, quando pressinto que vou me juntar ao rol dos que têm idéias pré-concebidas a respeito de tudo e de todos.
Há uns dias atrás estava na porta da Cartier em Ipanema, esperando Greta que não se decidia entre comprar um diamante rosa ou um outro azul (tola, me deixou impaciente, não tinha o que escolher, bastava levar os dois e a questão estava resolvida...), quando reparo em um mendigo na rua.
Quase ninguém repara em mendigo nas ruas, como não repara em faxineiro, em gari, em garçon...
Era um daqueles homens jovens, porém largados e maltratados pelas ruas, maltrapilho, muito sujo, mal cheiroso, cara inchada de manguaça, eis que se dirige a um senhor nipônico e lhe pede a bituca do cigarro. O cavalheiro oriental estica o braço, com medo da proximidade com o mendigo, este pega a ponta do cigarro e antes de a levar ao lábios para um último trago, LHE AGRADECE EM JAPONÊS!!??...

O Zé Ninguém, sem nada, porém digno...
Adoro ser surpreendida, e este homem simples realmente me surpreendeu. Agradecer não custa nada e aquele mendigo o fez em grande estilo!. Podem tirar tudo de um homem, o dinheiro, o convívio com a família, os bens materiais, mas jamais conseguem lhe tirar a educação e a dignidade...
Fui... (procurar me surpreender...)
Beijos
Maria da Conceição Tavares – Marquesa de Trancoso, Viscondessa Hereditária da Várzea da Ourada


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