A Mística
Tenho uma história incrível para vos contar...
No sábado passado coloquei as minhas sandalinhas Manolo Blanik e fui dar uma caminhada na praia, como de costume.
Quando retornava, decidi voltar pela beira do mar que estava muito bravo, de ressaca. Perto de meu cafofo, eis que vejo algo preto vindo, rolando nas ondas... Para meu espanto era um celular e para maior espanto, quando limpei a água e a areia, ele estava funcionando.

Sãozinha num passeio pela orla do Rio...
Coloquei no bolso, fui caminhando na beira do mar até à Santa Clara e quando voltei, perto do local onde achei o telefone, estava um "gringo" , vestido com roupa de passeio, com um relógio vistoso, uma enorme máquina fotográfica e dois neguinhos perto, de olho em levar alguma coisa do cara. Abordei-o e lhe disse para sair dali e ir para o calçadão, pois o local e a hora eram perigosos, como os neguinhos ameaçavam avançar para o cara, lhe sugeri, "Te acompanho, para tua segurança....", nisto achei uma nota de dois reais na areia, que coloquei no bolso.
Chegando em casa, chamei Jacob, sequei o celular com papel toalha, limpei a areia com um pincel e fui olhar no telefone se conseguia achava o dono. Liguei para a ultima pessoa com quem ele tinha falado e travei os seguinte diálogo:
- "Você sabe a quem pertence este celular?" - perguntei.
- "É do meu marido Cremilson que o perdeu ontem na praia, na beira do mar, fomos fazer uma oferta para Iemanjá e na hora em que ele foi jogar dois reais, o celular caiu do bolso na rebentação e como estava escuro não conseguimos encontrar mais..." - respondeu uma tal de Viviane.
- " Então, você fala para seu marido, o Cremilson, que Iemanjá não quis o celular dele e nem os dois reais, eu os achei na praia esta manhã..." - disse eu.
Dei-lhe o numero do meu celular e pedi que o marido me ligasse para combinar onde poderia mandar lhe entregar os achados, já que ele era bombeiro em Nova Iguaçú...
No domingo o felizardo dono do dito aparelho, o Cremilson me ligou e pediu para entregá-lo ao sogro que é segurança do Palácio do Catete. Encaminhei Jacob para o Catete com a tarefa de entregar o celular e aproveitar para conhecer o tal Palácio que ele ainda não conhecia....

Cremilson, numa cena familiar...
Pois é.... Se pudéssemos calcular as probabilidades de isto acontecer, um celular que cai ao mar junto com uma nota de 2 reais, é encontrado horas depois, primeiro o celular.... meia hora depois o dinheiro...as chances de isto acontecer são menores do as de ganhar na loteria...
Acho que o tal Cremilson, dono do celular, deve ainda estar num terreiro de macumba se explicando para Iemanjá...
Hoje eu acordei às 1:45 h da manhã... hora em que eu escapei pela "xota" de minha mãe e caí neste mundo, há 36 anos atrás... coisas inexplicáveis... Vocês sabem que eu durmo cedo e durmo muito...
Fui... (entregar mais um celular...)
MCT – Maria da Conceição Tavares – A Mística


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